UM ARQ. CHAMADO NARCISO

Seja sincero, quando você entrou na faculdade de arquitetura, por alguns segundos você imaginou como seria ser um arquiteto famoso. Não se engane caro leitor, todos nós imaginamos um dia esta cena.

Faz parte da nossa profissão imaginar uma carreira gloriosa, repleta de fama e projetos grandiosos. Talvez você tenha abandonado esse sonho no meio do caminho, ao se deparar com o mercado de trabalho.

No entanto, é importante pensarmos o porquê dessas ambições.

Desde sempre, nossa profissão é glamourizada. Já assistiu algum filme onde o arquiteto é um personagem fracassado? Já assistiu qualquer produção que o arquiteto não seja representado como um ser charmoso, criativo, encantador e cativante?
Esta representação está diretamente relacionada a visão que a sociedade possui de nós.
Por muitas vezes o arquiteto aceita essa visão e se transforma neste personagem (ou pelo menos tenta).


Mas eu proponho uma reflexão: será que somos realmente dessa forma? Será que somos essa mistura de James Bond e Picasso com a qual nos representam?


O problema aparece quando muitos de nossos colegas de profissão embarcam neste estereótipo. E com a qualidade vem diversos defeitos.
A arrogância do artista, a soberba e o ego de um gênio, são algumas características que presenciamos nestes indivíduos. Muitos arquitetos, que em especial possuem seu próprio escritório, tendem a ver o mundo orbitando a sua volta.


A arquitetura se transformou em um ramo de gênios peculiares, a serviço de ricos peculiares, por que o mundo nos enxerga assim.
Hoje os arquitetos brasileiros contemporâneos mais respeitados trabalham com decoração de espaços de luxo, vide Arthur Casas, Márcio Kogan, Fernanda Marques e outros tantos. Ao aceitar apenas esses indivíduos como arquitetos respeitados, subjugamos a nossa profissão ao olhar superficial da sociedade.

Por isso dou um conselho: pesquise arquitetos diferentes, se inspire em profissionais transformadores e que vão além desta bolha. Quando você espelha em profissionais assim, você mostra ao mundo um tipo de arquiteto diferente.
Cabe aos futuros profissionais mostrar ao mundo que somos mais do que um rostinho bonito, somos agentes transformadores.
Não se condicione ao estereótipo, pois o mundo não se resume ao reflexo de Narciso.


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